terça-feira, 25 de abril de 2017

A TURISTA DE ABRIL






A TURISTA DE ABRIL

Era ela.

ia em camisa descalça
e ninguém mais a sentiu.
não olhava
nem levava nada
era ela
partiu de madrugada.

andou por aí estes dias
cabisbaixa e calada.
trazia
pão num saco
e pedia
cenouras e laranjas no mercado.
como tinha um buraco no vestido e
não se penteava diziam
que era turista
ou artista do Reino Unido
não sabiam.

tinha na boca o lume inumerável de uma papoula
da Turquia ou da Tailândia
e nos dentes toda a neve da Sibéria ou da Finlândia.
ao pisar era crioula
e no bronze dos ombros
menina
latina
ou africana.
flor de tremoço da Califórnia seus olhos de Hera
e a cigana
de Granada
ali à espera
ao ler-lhe a sina
não leu nada.

andava meio nua
deu aos ombros ao polícia
que nem lhe arrancou o nome.
- "deitas as cascas na rua
vai à merda"
disse o guarda
"mata a fome
mas não sujes a cidade
a multa são dois mil paus
que puta de liberdade".

era ela.

dormia nos 
degraus das primeiras escadas que
alguém lhe consentia.

era ela.

- "já foi à fava"
disse o guarda que a via
da janela
para os botões da farda.


Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA


sexta-feira, 21 de abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017

sábado, 15 de abril de 2017

Concerto na Igreja da Lapa





Ontem, SEXTA-FEIRA SANTA, a Igreja da Lapa
concebeu um magnífico Concerto.
O Programa foi divinal:


STABAT MATER, de HAYDN
REQUIEM, de MOZART.


Os Cantores solistas, o Coro da Sé Catedral e a
Orquestra Filarmónica das Beiras fizeram magia. . .



sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEXTA-FEIRA SANTA







SEXTA-FEIRA SANTA




As trevas caíram sobre a tarde meu amor
ensopados pelo sangue dos espinhos
os meus olhos procuram sobre os montes
o perfil parado dos pinhais


dobrada sobre a terra
tu eras a torrente dos nossos serenos dias
estavas como uma rola abatida e eu cuspia ao ar
o vinagre e o fel que tu bebias


secaste as lágrimas no véu que ocultava a vergonha
do meu corpo
seguiste com o olhar o grito
e o eco do meu grito
a terra tremeu debaixo dos teus pés e fixaste
nos meus olhos empedrados
a noite que já mais uniria os nossos gestos.


Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Depois do AMOR





DESESPERO


Alternativa desesperada
a de ficar.
Sedativo para repousar,
suportar a dolorosa
ausência
da tua grande viagem.


Reconheço-me
na dificuldade de me adaptar,
de defrontar limitações. . .
assustada,
sem conseguir pensar,
na renovada inquietação
de me sentir
abandonada.


A vida
deixa de existir
se não me pressentir
enamorada.


Livro - Depois do AMOR
Manuela Morais



quinta-feira, 6 de abril de 2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

quinta-feira, 30 de março de 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

domingo, 26 de março de 2017

sábado, 25 de março de 2017

Pensamento







"Sê descuidado no traje, se quiseres, mas conserva limpa a alma."

Mark Twain


sexta-feira, 24 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

LONDRES





OMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
por Londres, pelo Universo inteiro.
Não há guerras santas. As guerras são sempre malditas,
destrutivas, diabólicas. . .
Vivamos o tempo do amor, o tempo da fraternidade, o
tempo do respeito pelo próximo.



terça-feira, 21 de março de 2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

PRIMAVERA





Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"


 Heterónimo de Fernando Pessoa

domingo, 19 de março de 2017

Para o meu PAI





“Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos;             


É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos!

Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!

Ter um Pai! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado!

Ter um Pai! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal!

Ter um Pai! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!             



Ter um Pai! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor!
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor!”

Florbela Espanca in Poesia 1918-1930

sexta-feira, 17 de março de 2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Aniversário de ESPIGA Pinto









José Manuel ESPIGA Pinto

Vila Viçosa - 16 - 03 - 1940
Porto - 01 - 10 - 2014






Espiga Pinto e Manuela Morais, sua mulher (de março de 2000 a 1 de outubro de 2014)



segunda-feira, 13 de março de 2017

TARTARUGA Editora





A Tartaruga que acompanha as
Apresentações dos Livros.



sexta-feira, 10 de março de 2017

VINICIUS DE MORAIS





A coisa mais divina que há no mundo
é viver cada segundo
como nunca mais.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia da MULHER e do HOMEM





DESPERTAR


A Estrela da Manhã
apareceu,
teu coração
tocou
o meu,
embrulhados em ondas do mar
sinto o teu respirar,
no meu colo
vens
repousar.


                M.M.

segunda-feira, 6 de março de 2017

SETE SÁBIOS PORTUGUESES





PEDRO SINDE e o seu magnífico livro

SETE SÁBIOS PORTUGUESES



sábado, 4 de março de 2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

ROCHA DE SOUSA



Capa de ROCHA DE SOUSA



domingo, 19 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

MANUELA MORAIS





Capa e Desenhos de ESPIGA Pinto



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

AS ESTRELAS





AS ESTRELAS


Os Deuses
desceram das estrelas
para me despertar.


Incrivelmente
gravaram no vento
força poderosa,
mais veloz que o pensamento,
anunciando
Primavera.


A estrela de cinco pontas
pendurada
sobre a mesa
começou a brilhar.
A água saciou-me,
o pão cozido
com sabor e aroma
trouxe-me de volta
a feliz meninice,
abençoada,
dourada.


Renovação?



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O AMOR







O AMOR é a maior
e mais poderosa
força do Universo.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

PEDRO SINDE





Capa de ESPIGA Pinto



sábado, 4 de fevereiro de 2017

MANUELA MORAIS




Capa de ESPIGA Pinto



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

domingo, 22 de janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ANTÓNIO CABRAL





Capa de ESPIGA Pinto



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

BARROSO DA FONTE




Imagem da Capa - NADIR AFONSO



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

6 de Janeiro - Aniversário de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES




Hoje, dia de Reis - Aniversário
de
 FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES






Fernão de Magalhães Gonçalves


Texto integral publicado na Revista FÓRUM Nº5 - 2016



"A vida de Fernão de Magalhães Gonçalves cruza-se, de modo exemplar, com a Obra que produziu. A sua escrita organiza-se para lá da linha do horizonte, habitada por fortes presenças ou memórias de seres viventes. O seu tempo é um tempo para além da história das suas personagens. As suas imagens dependem do valor do imaginário que contêm, não podem ser estáticas, não podem travar a imaginação. A intensidade da criatividade reside na paciência criada em contraponto dinâmico entre a serenidade e a rutura, provocando análises das suas raízes reais e disponíveis, na trajectória da vida através da realidade reconhecível.
Fernão de Magalhães Gonçalves foi poeta, escritor, investigador e ensaísta, nasceu em Jou (Murça) e lecionou em Murça, Vouzela, Porto, Chaves e nas Universidades de Granada (Espanha) e de Seoul (Coreia do Sul).
Autor de uma quinzena de livros publicados, a Poesia foi uma simultânea e relevante presença, sendo sempre constante a lembrança sensível do seu mundo evocativo da memória, os apelos da terra-mãe e as vibrações mais íntimas da sua personalidade. O seu ato poético foi sempre uma porta para a aventura criadora expressa em imagens emotivas, mas racionalizadas, como os ritmos da água, do corpo, do amor, das ervas, da terra e seus aromas."
(. . .)
"Fernão de Magalhães Gonçalves elegeu a escrita suprema como forma de conhecimento e divulgação, tecida na interpretação inovadora da espontaneidade executiva, na precisão estrutural de qualidade, inserindo-se fortemente na linguagem romântica. Toda a sua Obra atinge o esplendor da limpidez luminosa, da liberdade, proclamando o valor da liberdade individual, em plena harmonização com a intensidade de uma realidade que exprime pelo rigor, pela reflexão sistemática e a interrogação é basicamente o objectivo dessa urgência existencial.
Gostava que se percebesse que o seu discurso persistente, de que deixo aqui esparso registo, é assumidamente uma escrita e um pensamento ímpar, tem a beleza própria de quem força os limites do subtil e da profundidade. O cuidado posto em cada palavra, - diria que o Fernão era puro, sabia bem conciliar o espontâneo com a preocupação do rigor meticuloso, sem máscaras." (. . .)


Manuela Morais