TEMPO DO TEMPO
Não caibo neste instante nesta hora
neste dia.
Nos meus olhos montes e pinhais.
Aí me aguarda e demora
cada palavra que repetira
aos gestos iguais.
Longe respira o mar.
Nas ondas uma a uma
a rósea pele do sol a espada nua do luar
crinas e
narinas
de rochedos de quilhas e de espuma.
Pó de caminhos maratonas e viagens
a minha história
não cabe na minha memória
transborda como um rio para as margens.
Os dedos enclavitados na guitarra
cada vibração
em puxão
de amarra.
Parte-se-me nas artérias toda a melodia
da vida.
Igual e repetida
nenhum sentido a guia.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
ESTA CANÇÃO
esta canção é tua
e o tempo de ta cantar
também.
ninguém
prendeu no fundo de um lago a lua
a não ser
Lafontaine-a-escrever.
esta canção é tua
e aqui ta escrevo e digo
abelha que fala e só diz mel.
a pena é uma haste de trigo
e as palavras sombras
no luar do papel.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO
esta canção é tua
e o tempo de ta cantar
também.
ninguém
prendeu no fundo de um lago a lua
a não ser
Lafontaine-a-escrever.
esta canção é tua
e aqui ta escrevo e digo
abelha que fala e só diz mel.
a pena é uma haste de trigo
e as palavras sombras
no luar do papel.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO
sexta-feira, 30 de julho de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
VITA BREVIS
mas no barco do poema segue a viagem
anterior ao
naufrágio quotidiano da memória
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA
mas no barco do poema segue a viagem
anterior ao
naufrágio quotidiano da memória
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA
quinta-feira, 29 de julho de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
FERNANDO NUNES
INTIMIDADE
FERNANDO NUNES - Livro SOMBRAS DA ALMA
Era uma vez uma pequena aldeia, suspensa na vertente da montanha, como se aquela cordilheira que se desencadeava a uma dúzia de metros do lago da planície verdejante e subia numa quase linha vertical perfeita até ao pico mais afiado e próximo do céu, tivesse sido tocada por alguma mão das divindades das neves. A uns escassos duzentos metros do topo, a parede rochosa era quebrada bruscamente na sua verticalidade por uma terra plana, que nunca fora medida em quilómetros, mas que em passos lentos de velhice, demorava meia hora a ser percorrida, na direcção de qualquer um dos quatro horizontes. Aí, a minúscula aldeia, de casas construídas com pedras de calcário, brilhava no cintilar de uma luz quase líquida. Brilhava ainda na serenidade do seu silencioso isolamento e ao redor do braseiro de uma lareira, nas longas horas de reclusão, impostas pelos dias escurecidos dos temporais de Inverno. Contudo, era nos olhos dos seus habitantes que toda essa infinita luminosidade se evidenciava, como cristais, espelhando a verdade da alma de cada um. A aldeia parecia estar mais próxima do alto, do que do mundo terrestre ( . . .).
FERNANDO NUNES - Livro SOMBRAS DA ALMA
quarta-feira, 7 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
HISTÓRIA DE UMA ROSA
deu à luz da manhã toda a sua cor e perfeição
floriu a rosa e
não foi ver ao espelho
sua forma de boca sua cor de fogo
vago desejo de forma o seu perfume depois
cobriu o sulco de cada pétala morta
abandonada ao vento
manchados da sua cor dedos se devoravam
estilhaçando os olhos que a choravam
gestos de a colher se dispersavam
e nos lábios palavras se matavam
a rosa estiolou e morreu
a harmonia do jardim passou além
em seu espaço inútil
suas pétalas secas e seu tempo perdido
que nenhuma memória contemplava.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
deu à luz da manhã toda a sua cor e perfeição
floriu a rosa e
não foi ver ao espelho
sua forma de boca sua cor de fogo
vago desejo de forma o seu perfume depois
cobriu o sulco de cada pétala morta
abandonada ao vento
manchados da sua cor dedos se devoravam
estilhaçando os olhos que a choravam
gestos de a colher se dispersavam
e nos lábios palavras se matavam
a rosa estiolou e morreu
a harmonia do jardim passou além
em seu espaço inútil
suas pétalas secas e seu tempo perdido
que nenhuma memória contemplava.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
domingo, 27 de junho de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
VII
mesmo perdida cada
aposta em ti
renova em si o
sentido único da vida
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA
mesmo perdida cada
aposta em ti
renova em si o
sentido único da vida
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA
sexta-feira, 25 de junho de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SETEMBRO
e tu que conheces o reino silencioso
das formas e dos gestos
serenamente a ti regressas da perplexidade
e sobre a areia lisa te deitas e recolhes
com as mãos postas
e os olhos rasos de esquecimento
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
e tu que conheces o reino silencioso
das formas e dos gestos
serenamente a ti regressas da perplexidade
e sobre a areia lisa te deitas e recolhes
com as mãos postas
e os olhos rasos de esquecimento
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
sábado, 19 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
hoje nada te prometo
neste poema concreto vai
apenas um beijo o
desejo de
contigo correr entre os silvedos
colher amoras contar
com os dedos pelos
grãos de areia os anos a que faltam horas
horas guardadas nestas
conchas dobradas flores das
areias que
tens nas mãos cheias
fechadas
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - JÚBILO DA SEIVA
neste poema concreto vai
apenas um beijo o
desejo de
contigo correr entre os silvedos
colher amoras contar
com os dedos pelos
grãos de areia os anos a que faltam horas
horas guardadas nestas
conchas dobradas flores das
areias que
tens nas mãos cheias
fechadas
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - JÚBILO DA SEIVA
segunda-feira, 7 de junho de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
2007 - ANTÓNIO CABRAL
2008 - CLÁUDIO LIMA
2009 - JOAQUIM DE BARROS FERREIRA
2010 - ANTÓNIO FORTUNA
domingo, 6 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
ANTÓNIO FORTUNA
Depois de tempo, tempo vem
ABERTURA NO SILÊNCIO
FRESCOS DA MEMÓRIA - ANTÓNIO FORTUNA
ABERTURA NO SILÊNCIO
A porta abriu-se com uma chave grande e lisa, rodando para a esquerda uma fechadura já desengonçada do uso. A luz entra e entabula um diálogo com a sombra e o silêncio guardados no pequeno pátio que antecede as escadas assimétricas e íngremes.
A luz fez chilrear as sete andorinhas de barro, em formação de gala, pregadas na parede caiada de branco. Pelo menos assim pareceu aos olhos que as olharam, matando as saudades de longos tempos de ausência. Sim, que os olhos também ouvem, tal como os ouvidos vêem na escuridão, porque, se assim não fosse, não nos orientaríamos no escuro através dos sons. (. . . )
FRESCOS DA MEMÓRIA - ANTÓNIO FORTUNA
Subscrever:
Mensagens (Atom)










